História

NOSSA HISTÓRIA
       Escrever sobre a História do Nelore Mocho da Fazenda Maringá é um modo de nos apresentarmos aos nossos parceiros e aos nossos clientes. Somos uma empresa de natureza familiar que se dedica exclusivamente à atividade rural, sem artificialismos. Isso nos coloca muito à vontade perante nossos clientes, pois a sobrevivência e o sucesso de todos nós dependem dos mesmos fatores: conseguir fazer nossa terra produzir de modo sustentável, suplantando as agruras do tempo, os equívocos das políticas públicas e ainda o protecionismo comercial das nações ricas. Por vezes, esses desafios parecem mais pesados do que nossos ombros podem suportar, mas, logo adiante, nos lembramos da luta de nossos ancestrais para chegarmos até aqui e vemos nosso ânimo recobrar forças e prosseguimos em frente. E assim continuamos a construir nossa história.
       A origem da Fazenda Maringá faz parte da saga de meu bisavô Manoel Rodrigues Simões (1842-1914), mineiro de Pouso Alegre. Nos idos de 1880 achava-se ele em sua Fazenda Saltinho, em São Manoel do Paraízo, quando recebeu a visita daquele homem cuja vida, há pouco, havia salvado. O estranho viera agradecer o favor e, junto à gratidão, trazia a oferta da venda de sua gleba: o Vale do Rio Cervo. Fora bem ali, a 250 km de Barra Bonita, descendo rio abaixo de varejão, à margem esquerda do rio Tietê, no trecho conhecido como rio morto, que Manoel Rodrigues encontrou o desconhecido agonizando de malária. E foi desse modo singular que a gleba do Cervão fora adquirida, ao preço combinado de uma mula, uma espingarda La Porte e um conto de réis.
        Manoel Rodrigues Simões morreu na cidade de São Paulo, sete dias após completar 72 anos, no dia 31 de julho de 1914. Ironicamente, desta vez, a malária, que lhe havia trazido aquela oportunidade, agora lhe cobraria a própria vida.
       Em 1916, com a inauguração da estação Afonso Pena da Estrada de Ferro Noroeste, começaria a surgir junto ao local um povoado, o Pena. Ao lado já havia outro conhecido como Cafelândia. Da união desses agrupamentos, viria a se formar, muitos anos depois, a cidade de Cafelândia.
        O falecimento do velho patriarca coincidia então com o surgimento de Cafelândia, cuja economia fora alavancada pela construção da ferrovia. Seus filhos, de posse do quinhão do Vale do Cervo e aproveitando a circunstância favorável, iniciaram a abertura de numerosas fazendas de café e gado. O desenvolvimento foi tanto que em trinta anos, em 1946, Cafelândia se tornaria o município maior produtor de café do mundo. Em dezembro de 1948, meu avô Cel. Amando Simões, doaria a seus filhos suas fazendas desmembradas da gleba do Cervo. À minha mãe, Zeilah Simões, coube uma seção da Fazenda Maravilha, que ela denominaria Fazenda Maringá (do tupi: mari: boi e ingá: pintado).
       Se cerca de trinta anos levaram Cafelândia ao apogeu da cafeicultura, um período semelhante levaria o município a quase total erradicação da cultura, que se veria substituída por pastagens destinadas ao gado de corte.  Até 1930 o gado Caracu reinava absoluto no Estado de São Paulo. Mas ele era usado principalmente para produzir esterco e para tração nas lavouras de café. O gado zebuíno, vindo lá das Minas Gerais, sofria forte preconceito, mas aos poucos foi vencendo a resistência paulista e quase levou à extinção o gado Caracu.
       Nos anos setenta, navegando nas águas do Zebu, meu tio Fausto Simões começou a selecionar nelore padrão na Fazenda Santa Virgínia, em Cafelândia. À época ele já era um dedicado criador de cavalos mangalarga. Engenheiro, abandonou a profissão para cuidar melhor das fazendas de seu pai, Dr. Agenor Simões. Apaixonado por cavalos, dedicou a vida toda ao seu aprimoramento. Nas pistas conquistou os mais elevados prêmios. Fora delas, dava palestras e escreveu um dos poucos livros brasileiros sobre equinocultura: “Mangalarga, o Cavalo de Sela Brasileiro”.  Foi presidente da ABCCRM, e dela recebeu a justa homenagem de ter o seu nome dado ao pavilhão da Associação no Parque da Água Branca.
        Nos anos 68/72 a Central VR passa a produzir sêmen congelado em ampolas de vidro. Fausto Simões aproveita a oportunidade e insemina suas matrizes com o sêmen dos grandes touros que a aquela época haviam sido trazidos da índia ou com o sêmen de seus filhos.  Quando vi pela primeira vez os tourinhos que meu tio estava produzindo na Fazenda Santa Virgínia, eu era bem jovem e fiquei tão impressionado com aqueles animais maravilhosos que aquela visão nunca mais deixou minha imaginação.
        Minha família há gerações se acha fortemente ligada a terra: meu trisavô José Joaquim Simões, pai de Manoel Rodrigues Simões, mudara-se de Pouso Alegre, para Brotas, com seus filhos em busca de terras férteis e baratas, onde pudessem plantar café e criar animais. Manoel Rodrigues e seus irmãos, para obter um ganho extra, traziam tropas de Minas Gerias para vender no interior de São Paulo. Manoel Rodrigues Simões, já adulto e apaixonado por animais, mantinha em sua fazenda Saltinho uma matinha de cães veadeiros a qual ele dava o nome de Venatório (do deus da caça Venatus). Teve no casamento 16 filhos. Um deles, meu avô Cel. Amando Simões, foi grande cafeicultor. Nos anos 30, com a queda da bolsa de Nova York e a moratória da cafeicultura nacional, se envolveu profundamente na luta pela renegociação da dívida impagável dos cafeicultores. Na década de 40 selecionava gir, guzerá, indubrasil e nelore. Meu tio Fausto Simões, também manteve uma matilha de uns 30 cachorros americanos veadeiros que comiam angu, todos juntos, num enorme tacho de cobre, na maior algazarra.
       Em 1988 meu pai, hoje falecido, Roberto Simões Nunes, o Robby, ou Rubi, como era por todos conhecido, me passou a gerência da Fazenda Maringá. Ele era uma pessoa singular, extremamente perfeccionista, crítico e franco.  Quem o conheceu jamais o esquecerá. Marcou profundamente minha personalidade. Para mim sempre foi o pai herói, mas só na velhice nos reencontramos de verdade. Sempre ao seu lado, minha mãe, Zeilah Simões, falecida em 2009, me ensinou o valor da verdade, da lealdade, a virtude da paciência, da docilidade e da ternura.          
       Nos idos de 1990, meu tio Fausto veio a falecer num trágico acidente de automóvel. Com sua morte, seu filho, Agenor Simões Neto, passou a administrar a Fazenda Santa Virgínia. Em 1991, sabendo de meu desejo de dar continuidade ao trabalho de seleção que seu pai havia iniciado, me ofereceu algumas vacas de avançada idade, que foram prontamente adquiridas. Pouco depois me ofertou algumas novilhas, que, da mesma forma, foram trazidas para a Fazenda Maringá, dando início assim à nossa seleção.
       Em 1995, o amigo Carlos Soulie Franco do Amaral, que resolvera vender sua fazenda e retornar ao jornalismo, me deixou escolher 11 novilhas de 24 meses, PO e POI, de seu rebanho nelore padrão.
      Cerca de quatro anos após a morte de meu tio, recebo a arrasadora notícia de havia perdido também meu primo e companheiro Agenor Simões, num acidente na Castelo Branco. Havíamos passado o dia anterior juntos, registrando o gado de nossas fazendas com os técnicos da ABCZ. Quando de sua morte a Fazenda Santa Virginia já havia sido desmembrada. Uma parte, com a sede original, ficara para meu primo, a outra dera origem à fazenda Bela Vista, que ficara para sua irmã Carmem, a Carmita, casada com Flávio Diniz Junqueira. O rebanho FS também fora repartido. Flávio deu continuidade à seleção padrão. A outra parte então me foi oferecida por Beatriz Maringonni Simões, esposa de meu primo, e dessa forma veio a integrar o restante de nosso rebanho.
        As matrizes de origem, todas elas nelore padrão, há muito já se foram. Sua linhagem vinha de Karvadi, de Taj Mahal, Nagpur, Golias, Godavari, Redhil, touros importados da Índia, ou de seus filhos, como Chumak, Lodhran, Kurupathi, Dumu, Marajá etc.
Abaixo a cópia da ficha zootécnica de uma matriz procedente da Fazenda Santa Virgínia, que viera integrar o rebanho da Fazenda Maringá. Note na ficha o Controle de Desenvolvimento Ponderal do ano de 1970. O CDP começou a ser organizado pela ABCZ em 1968. Note que em 1970 havia no Brasil inteiro apenas 1.311 nelores inscritos no CDP. Veja a planilha abaixo:

 
Abaixo planilha com o número de animais cadastrados no CDP da ABCZ de 1968 a 2012:
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       Daí para frente, acasalamos as matrizes originais e suas descendentes com os melhores touros mochos das centrais de inseminação. Ao longo desses 21 anos (de 92 a 2013) utilizamos 28 touros mochos (Amareto, Beijing de Naviraí, Broto da Santa Marta, Broto do Varrela, Campineiro, Champion DB TE, Chave de Ouro, Claro TE DB, Diago CV, Espiral ESL, Faive CV, Feriado OB, Fiel FM, Hasik ESL, Huracan Sausalito, Imbu Miraflores, Macho SL, Naskhan DB, Nike Cambira, Pacote RG, Pinóquio da TM, Qualit Control da Col, Risonho da NI, Saveiro da GR, Trovão da SL, Xangô, Xavante VG, e Xingu Von 4) e 2 touros nelore padrão (Backup e Quark da Col.). (VEJA MATÉRIA SOBRE NOSSA SELEÇÃO)
       E foi assim, mediante a inspiração de legendárias histórias de família, movidos pela mais pura paixão e por valores fundamentais que julgamos preservar, que iniciamos nosso trabalho de seleção do nelore mocho, desenvolvendo uma raça bovina e aprimorando um estilo de vida.
       Por fim, cabe dizer que nada disso seria possível, não fosse a colaboração de minha família, em especial da minha esposa, Mara, que tanta paciência tem tido para comigo. A Vida é dura e curta, mas, se meu entusiasmo ao menos servir um dia para inspirar minha descendência, o esforço não terá sido em vão.             
       Maio de 2013
Marcelo Simões Nunes

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